Aumentam Bares GLBT em BH

por Daniela Nunes
novembro/ 2007

 

Cada vez mais, empresários e pessoas do ramo de comércio estão considerando Belo Horizonte como um bom pólo investidor para a instalação de bares. E, curiosamente, abrem bares direcionados ao público GLBT (gays, lésbicas, bi e transexuais). O aumento do número de locais assim se deve à demanda de pessoas que procuram mais opções de bares GLS (antiga, mas ainda usual, sigla para gays, lésbicas e simpatizantes) e àqueles que acreditam que esse negócio dará certo e resolvem ficar nesse mercado, como explica Elisabeth Rocha, dona do Villa Paraty, inaugurado em fevereiro deste ano.

Beth, como também é conhecida, garante que vale a pena investir nesse nicho, já que as pessoas estão querendo coisas novas e que boa parte do público homossexual tem um poder aquisitivo maior por ser de classe média alta. Porém, ela conta que dentre os freqüentadores há também aqueles que vão só com o dinheirinho contado pra pagar qualquer coisa no Villa e que estão mais interessados na diversão que o lugar proporciona.

Simone Santos, gerente do bar Gis, compartilha da opinião, ao relatar que esse é um segmento altamente lucrativo e que o público GLS não se limita somente a bares e boates. “Hoje, há agências de turismo em BH para ele, oficina mecânica com atendimento direcionado e revistas sendo lançadas aqui na cidade”. Ela diz também que o Gis é uma empresa que dá lucro, nada extraordinário, mas dá e que o mercado, como um todo, está descobrindo esse segmento.

Ambos os bares apostam no tratamento diferenciado e atencioso, mais pessoal, para com os clientes, principalmente os mais assíduos. “Procuramos ter um atendimento mais simpático e, dentro do possível, gravar o nome de alguns clientes e as preferências deles”, ressalta Simone. Igor Fonseca Guimarães, 22 anos, afirma que esses são bares bem aconchegantes. “Você é bem recebido, o atendimento é bom e os homossexuais não sofrem nenhum preconceito”. Ele ainda acrescenta que é atraído pelos bons shows que o local promove e pelos freqüentadores desses bares.

Para a gerente do Gis, os shows de Gisele Andrade, cantora e dona do bar, são alguns dos principais atrativos que fazem o bar ser bastante conhecido e que contribuem para o alto número de pessoas que a casa recebe. “Ela é considerada uma diva do segmento GLS e é a única pessoa que leva público por onde ela vai e canta, seja aqui ou no interior”. Laiane Gonçalves, 26 anos, confirma que isso, de fato, acontece. Segundo ela, na sexta-feira, a melhor noite GLS de BH, indiscutivelmente é no Gis. “Já faz algum tempo que freqüento lá. Vou por causa da animação, porque esse é o local onde encontro os meus amigos e onde acabo esquecendo os problemas”, relata.

Sobre a questão financeira, Laiane diz que seu poder aquisitivo não é alto, mas que consegue se divertir bem e que esse ponto é bastante polêmico. “Há muitas pessoas que acham que os homossexuais são necessariamente ricos, mas isso não é verdade. Até hoje, não vi nenhuma pesquisa que comprovasse isso. Acredito que essa idéia tenha surgido mais por causa do estereótipo glamuroso do gay”.

Bares Tradicionais

Apesar do crescente número de bares destinados ao público GLBT, em BH, a capital mineira ainda mantém uma forte tradição calcada em bares e botecos mais antigos que preservam traços históricos e freqüentadores assíduos.

Bolão, Bar do Mercado Central e Mercearia do Lili são algumas das mais famosas opções para aqueles que adoram uma vida boêmia e buscam comida boa, barata e um lugar gostoso para se freqüentar. Isso, por exemplo, é o que atrai o estudante de filosofia Marcelo da Silva, freqüentador assíduo do Bolão há cinco anos. Ele conta que lá é o melhor e mais procurado lugar para ir depois da “farra”, por volta das 4h da manhã, por quem quer beber e comer mais um pouco. Marcelo diz que há alguns aspectos que fazem do bar um lugar tradicional. “Lá é bem mineiro, bem “botecão”, fica aberto a madrugada inteira, e, além disso, nossos pais já freqüentaram muito lá”.

 José Maria Rocha, dono do Bolão, tem a percepção do diferencial do estabelecimento. “Bares existem em todos os lugares e de vários tipos em Belo Horizonte. As pessoas vêm aqui para comer bem”, afirma José, ou como é mais conhecido, Bolão. Segundo ele, o fato de a família trabalhar no bar é o que mantêm o padrão de qualidade da comida durante tanto tempo, há 45 anos. São mais de 70 funcionários, e cerca 90 contando com os familiares”. 

Outro bar que consegue manter tradição e qualidade, através de 43 anos de existência, é o Bar Mercado Central. Lá, o dono Sivori Lopes, atribui a uma série de características o sucesso do estabelecimento, como fato de estar há tanto tempo no mesmo local, pelo pastel que com a mesma receita durante todos esses anos e ser o único bar que oferece rabada. Já os clientes vêem outros atrativos. Ronaldo Marques, freqüentador há 25 anos, diz que dentro de BH lá é o melhor ambiente que tem para classe média e pobre e que o tratamento é diferenciado. “Todo mundo aqui sorri para você, todos somos amigos, funcionários, patrões e o pessoal que vem para cá”. Mesmo sendo dono de um bar, só que no Bairro Stª Tereza, Ronaldo vai quase diariamente aos bares do Mercado. “Aqui eu faço amigos e conheço gente nova a toda hora”. Cleifer Valadares, comerciante no Mercado há 32 anos, acredita que as pessoas freqüentam o local pelos tão famosos tira-gostos, pela cerveja sempre gelada e pela amizade. “Além de que, aqui nesse bar, tem um banco para se sentar porque o mais difícil é beber em pé, a gente cansa (risos)”.

- Confira ainda a entrevista de Mônica Barros sobre os bares em BH.

Sobre Repórteres Avulsos

Nossa intenção aqui é publicar trabalhos completamente autorais e espontâneos, livres de quaisquer condicionamentos formais e ligações institucionais. Saímos às ruas com uma câmera na mão e uma pauta na cabeça e vamos atrás do interessante, do diferente, do inusitado, do mundo; sem saber ao certo o que nos espera. Nosso negócio é experimentar, é descobrir pessoas e histórias reais. Nosso negócio é o jornalismo verdade.
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